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sexta-feira, 16 de junho de 2017

AUTO ESVAZIAMENTO


Certamente a mensagem da cruz não tem sido bem interpretada ultimamente. Parece que a crucificação diária do eu não é algo prioritário. Pense bem! Na carta aos filipenses o autor fala sobre o auto esvaziamento de Jesus que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus.
Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens. (Filipenses 2:6,7).
Qual é a dificuldade de se entender que o exemplo primas de Jesus deve ser seguido à risca? Quais as nuvens de obscuridade que permeiam essa nova forma ideológica do viver cristão? Com certeza a resposta está no novíssimo evangelho que surgiu a partir da invenção da teologia contemporânea. O evangelho que é outro. O evangelho da autossatisfação. Isso mesmo! O evangelho que busca satisfazer as necessidades da alma ou a autoafirmação no meio social em que o indivíduo está inserido. Não é por menos que o considerar os outros superiores está cada vez mais em baixa dentro das igrejas. E o "meu momento" é cada vez mais desejado pelos frequentadores de cultos sacros protestantes. De tanto se ouvir sobre autoajuda, o que mais se deseja é estar por cima e não por baixo.
Fazer do chamado então de "ministério", uma plataforma de status é comum e, por mais que pareça loucura, é louvável. É algo admirável. Isso dá a entender que a maioria não entende o que é nascer de novo. Ter uma nova vida com Cristo e em Cristo.
A Bíblia no capítulo dois da carta aos Filipenses, chama de vanglória o esforço frenético exercido por alguns para fazer com que sejam vistos e apreciados por outros irmãos. Como se o culto prestado a Deus fosse apenas um pretexto para exibir dons e talentos. Porém no versículo três do mesmo capítulo mostra que deixar de ser para que outro seja, é algo superior, é mais elevado. É participar do mesmo sentimento que teve Cristo Jesus.
Nota-se que Jesus não deixou de ser Deus, mas para que a obra redentora fosse completa, teve de abrir mão de usar alguns atributos que nunca deixou de possuir para nos servir. Assim sendo, foi totalmente humano mesmo tendo o poder da deidade a seu dispor, mas preferiu não usufruir. Essa atitude é concernente de pessoas bem resolvidas com sigo mesmo, pessoas sadias de alma que, mesmo sabendo que são capazes, não se importam em não ser para que outros sejam.
Somente através da crucificação diária é que se pode chegar a um estado de auto esvaziamento e descobrir o imenso regozijo que reside em prestar honra ao próximo. A satisfação vem quando se depreende que ser não é mostrar o que se sabe. Ser é ser, e independe se outros apreciam ou não.
Jesus quando se fez semelhante aos homens, elevou o ser humano a condição de voltar a ser semelhante a Deus quanto a seu caráter mediante a aceitação de sua obra redentora. Uma vez criado, o homem foi feito a imagem e semelhança de Deus. Jesus encarnado, tornou-se semelhante aos homens. É esta semelhança que aponta o caminho de volta para o Pai e o encontro do homem com sigo mesmo. Jesus se tornou homem para mostrar o que é ser homem pois, com a quebra da unidade com Deus por causa do pecado, o homem perdeu o equilíbrio interior, ou seja, a comunhão que mantinha a sanidade mental intacta. O homem ficou desorientado quanto ao seu próprio ser, e descarrega essa falta de orientação tentando provar sua superioridade para com os outros.
Cristo provou que, ao esvaziar-se, a necessidade da autoafirmação é quebrada, e nesse processo existe curas inexplicáveis aos olhos humanos. O indivíduo deixar de enxergar seu próprio universo e expande a visão para o que estar em sua volta. Foi o que Jesus praticou durante seu tempo aqui na terra. Ele tinha suas prioridades, mas elas nunca ofuscaram a visão clara que a missão maior era, e ainda é, o restabelecimento do homem em seus exercícios de comunhão: com Deus, com sigo mesmo, com o próximo e com a natureza.
Observe que Ele tomou a forma de servo e se fez semelhante aos homens, mas Cristo nunca foi servo e sim senhor. No entanto, se fez semelhante aos homens porque a forma de servo era temporária, mas a semelhança humana não. Cristo sendo Deus agora também é perfeitamente homem com um corpo glorificado, Ele é o primeiro de todos os homens neste aspecto. Não foi o primeiro ressurreto, mas foi o primeiro a morrer sem pecado, portanto o primeiro a ressuscitar e ter o corpo glorificado. E a nós isto é possível por Ele ter levado nossos pecados na cruz e nos crucificou juntamente com Ele.
Jesus se humilhou e Deus o Exaltou soberanamente. Este é o caminho. Jamais seremos exaltados como Jesus, Ele foi exaltado soberanamente. Significa que sua exaltação é soberana, não há semelhança nisso. Também Deus não quer nos exaltar a vista de outros homens, a exaltação que Deus tem para nós é a coroa da vida guardada para aqueles que permanecerem fieis. Esta é a glória que está preparada para nós, não outra.
Fazer do evangelho palco para afirmações pessoais somente tem por consequência enfermidades interiores. Contudo, a prática do auto esvaziamento é cura. Como Cristo que se humilhou para que fôssemos exaltados n’Ele, também devemos nos espelhar nisto para que o Corpo de Cristo seja exaltado em nosso auto esvaziamento. Assim quando aprouver a Deus seremos exaltados em Cristo, e todos os males da alma estarão ausentes dos nossos corpos glorificados. Que assim seja!

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Esperando em Deus


Tem muita gente esperando promessas de Deus que nunca foram feitas, esperando acontecer coisas que nunca acontecerão, pois são contrárias a vontade de Deus. Tem gente desconsertada esperando algo de Deus, quando Deus quer primeiro que se conserte a sua vida, coloque em ordem as prioridades, Deus acima de tudo, depois família, tem gente que fica andando de um lado para o outro buscando uma profecia, uma palavra aprazível, mas não quer largar seus pecados, seus relacionamentos ilícitos. Muitos querem receber benefícios de Deus, mas não querem compromisso algum com Deus, com Sua palavra, não querem gastar seu tempo nas coisas de Deus, não oram quase nada, não meditam na palavra de deus, nunca aprendem nada de Deus, mas querem receber Seus benefícios.
Cuidado com os falsos profetas e as falsas profecias, aquelas que fazem promessas maravilhosas, que nunca acontecerão porque não estão dentro da vontade de Deus ou que não indicam o caminho estreito para se alcançá-las. Cuidado com promessas com prazo marcado para acontecer, pois o tempo pertence exclusivamente a Deus, cuidado com promessas que não exijam uma tomada de posição diante de Deus, um preço a pagar, uma conversão genuína, uma entrega total, um caminho estreito e muitas vezes longo. Quando ouvir uma promessa de vitória e um caminho estreito ou um remédio amargo para alcança-la não queira reter só o que for aprazível para seus ouvidos e descartar o que não lhe agrada, pois muitas vezes é necessário abrir mão de coisas erradas , renunciar vontades próprias, deixar o caminho errado, mesmo que for prazeroso, deixar as companhias erradas, que mantém a pessoa longe de Deus e da Sua vontade.
Tem gente recebendo conselhos errados, fora da palavra de Deus, conselhos de ímpios, e pior ainda pessoas que se dizem de Deus, mas não tem comunhão alguma com Deus, a fim de mostrar o caminho e a posição que Deus quer que tome, e não palavras aprazíveis que agradem a carne, que não exigem nada da pessoa. Pessoas desconcertadas precisam se concertar, pessoas rebeldes precisam voltar a obedecer e dar ouvidos a voz de deus, pessoas orgulhosas, com o coração duro, devem se humilhar diante de Deus e aceitar Seus desígnios, pessoas que estão vivendo longe dos caminhos de Deus, precisam voltar a trilhar este caminho, pessoas que abandonaram o que Deus lhe dera, como família, casamento, ministério, devem voltar atrás e cumprir a vontade de Deus.
Tem muita gente esperando algo novo de Deus, esperando Deus fazer algo em sua vida, mas estas mesmas pessoas não abrem mão do antigo, do plano B, de seus próprios conceitos, de sua própria estratégia, de seu orgulho. Quando você tiver entregado tudo a Jesus, mas tudo mesmo, sua vida, seu coração, seus planos e desejos, áreas de sua vida intocáveis até agora, deixando-se moldar por Deus, então Deus fará algo novo em sua vida, um vaso novo, conforme aprouver a Deus fazer, e não do seu jeito. Deus quer salvar uma alma e depois usar como canal de benção para salvar outras almas.
Creio que Deus tem prazer em abençoar as vidas, restaurar as vidas, curar as feridas, restituir aquilo que lhe pertence, restaurar relacionamentos lícitos, mas primeiramente Deus quer salvar as almas, e mostra seu amor nisto: na sua misericórdia para salvação de todo aquele que crê genuinamente em Jesus e é regenerado para uma nova vida, longe do pecado, vivendo na obediência a Deus.
Creio que Deus tem um propósito para cada vida, começando aqui nesta terra, para depois cumprir a suprema promessa que é a vida eterna, mas tudo o que fazemos aqui, diante de Deus e dos homens ecoará para a eternidade, por isso, busque saber da vontade de Deus para cumpri-la e assim será bem aventurado na terra.
Fica na paz
Francisco de Assis
Membro da Assembléia de Deus em Apucarana/PR
Francisco de Assis

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

O Famigerado Culto aos Anjos nas Igrejas Evangélicas


O culto aos anjos tem se tornado uma tendência muito forte nas Igrejas evangélicas. No seio da Igreja primitiva essa adoração aos anjos tentou encontrar lugar, mais foi poderosamente combatida pelo apostolo Paulo. Alguns cristãos da Igreja primitiva acreditavam que podiam invocar os anjos para suas reuniões e que isso consequentemente traria a presença de Deus. Paulo exortou os crentes a não perderem tempo com essas praticas e abandonasse todo esse misticismo e invocasse o nome do Senhor Jesus.
"Ninguém vos domine a seu bel-prazer com pretexto de humildade e culto dos anjos, envolvendo-se em coisas que não viu; estando debalde inchado na sua carnal compreensão,"  (Colossenses 2 : 18).
A forte tendência de adoração aos anjos que se instala sorrateiramente no meio evangélico, pode começar a ser observado pela supervalorização do mesmo em nossas canções, em sua grande maioria aquelas denominadas de louvores de “fogo”.
“Desceu Miguel, e lá vem Gabriel, para tua benção entregar...”
“Olha o anjo ai, tocando em tua cabeça e curando a enfermidade...”
“Desceu um anjo de fogo com a espada na mão, ele veio te dizer que não precisa temer...”
“O nome do anjo que vejo na Igreja é  LABASSU-DE-ONDERÁR...”
“Vixe, começou o mistério do anjo que macha no tempo, em suas mãos a bandeja com o rolo para te entregar...”
Essas são apenas algumas frases dentre as milhares de milhares que permeiam os nossos chamados “hinos de fogo”. Acho incrível e ao mesmo tempo aterrorizante a forma como muitos cristãos, e incluo aqui muitos obreiros e pastores, alguns deles renomados; fazem uma enorme apologia ao culto a anjos em suas Igrejas e congregações. Parece-me que a falta de conhecimento da tão linda doutrina dos anjos levam muitos cristão a uma adoração equivocadas aos mesmos. Muitos inconscientemente dão aos anjos, onipresença, onisciência, onipotência e nem ao menos se dão conta do que estão fazendo. Outros de maneira descarada e proposital fazem cultos a anjos e incentivam seus ouvintes a fazerem o mesmo. O Assustador é que não me refiro aqui a seitas orientais, mais aquilo que resolvi denominar a pouco mais de cinco anos de “Seitas Evangélicas”.
Minhas palavras podem está chegando agora de forma assustadora a sua mente, mais se você resolver prosseguir a leitura desse artigo acredito que você entenderá que meu raciocínio é coerente. Não é realmente incrível e visivelmente assustador constatar que a adoração, louvor, devoção e respeito aos anjos são muitas vezes mais fortes em nossos cultos do que a adoração, louvor, devoção e respeito que dedicamos ao Senhor Jesus. Vou admitir aqui que a maioria dos cristãos que são levados a cultuar a anjos, o fazem por falta de conhecimento bíblico e muitas vezes de forma inconsciente, eles apenas acompanham as tendências do momento gospel. Já estive em grandes catedrais com milhares de pessoas e em pequenas congregações do interior e a reação das pessoas ao impressionante e curioso assunto dos anjos é a mesma.
Os pastores iniciam suas reuniões com louvores a Deus e afirmam em suas congregações que o Senhor Jesus prometeu que está conosco.
"...e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém."  (Mateus 28 : 20)
"Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles."  (Mateus 18 : 20)
Essa é uma verdade muito poderosa e especial. A maioria dos pastores e lideres concordariam comigo em dizer que tristemente muitos já se acostumaram com esses versículos e em muitos corações ele deixou de ser verdade e se transformou em um mero jargão em ouvidos incrédulos. No entanto nessas reuniões que participei e tenho participado, as mesmas pessoas que não expressaram nenhuma alegria e adoração diante da afirmação bíblica e solene de que Jesus está no culto, em nosso meio e recebendo a adoração que lhe é dada, e que através do seu Santo Espírito está nos tocando e nos fazendo sentir sua presença e seu poder, gritam, saltam e sapateiam interminavelmente ao ouvir alguém dizer:
“Eu estou vendo um anjo andando em nosso meio!”
“Sinto um anjo de fogo espalhando brasas no meio da igreja!”
“Desceu o anjo do mistério...”
“Acabou de chegar o anjo da cura!”
“Desceu Miguel e lá vem Gabriel...”
Quando essas frases são ditas ou usadas propositalmente por alguém que está buscando “movimentar” a Igreja, através de suas revelações místicas, imediatamente uma explosão de línguas estranhas é disparada e acompanhadas de muitas outras manifestações. A reação à presença de um suposto anjo que está ali se movendo no meio do povo é recebida com mais fervor do que a informação sobre a promessa da presença certa e confiável do Senhor Jesus. Precisamos despertar do sono que obscureceu nosso entendimento em relação às coisas espirituais.
Os anjos não são Onipotentes.
Eles cumprem as ordens de Deus e recebem capacitação de Deus para completar essas ordens e cumprir seu oficio diante de Deus. Não adianta acreditar que existem anjos “Todo Poderosos” porque eles não existem. Os anjos são seres poderosos, porque foram dotados de poder para realizarem suas tarefas diante de Deus e da Igreja. Eles são seres criados por Deus e não auto existentes, sendo assim totalmente dependentes de Deus. Sua força, poder e autoridade são lhes dada pelo Altíssimo.
Os anjos não são Oniscientes.
Nenhum anjo pode está em dois lugares ao mesmo tempo. Eles se movem em uma velocidade inimaginável. Se movimentam como raio ou como o vento mas o mesmo anjo nunca pode está no céu e na terra ao mesmo tempo, e assim também não pode o mesmo anjo está em um culto no Brasil e no Japão ao mesmo tempo.
Pense um pouco comigo: é bem notório que o cristão do mundo inteiro tem uma paixão ou admiração tremenda por pelo menos dois anjos para os quais a Bíblia revelou seus nomes. O anjo Gabriel e o Arcanjo Miguel. Não posso contar a quantidade de vezes em que ouço em culto e reuniões de oração o nome desses anjos serem citados. Não tenho como contar as milhares de vezes que em meus mais de vinte anos de novo nascimento em cristo Jesus, já ouvi a presença desses anjos serem reivindicadas por cristão do Brasil e do mundo inteiro. Lideres, pastores e alguns deles bem famosos dizem ter Gabriel ou Miguel como sua guarda pessoal e ao se depararem com pessoas possessas por espíritos imundos exigem que Miguel, ou Gabriel segurem aquele demônio durante seus intermináveis interrogatórios onde procuram descobrir a razão pelo qual aquele demônio habita aquela pessoa. Sem falar que toda a multidão está atônita olhando a luta entre o anjo e os demônios.
Espero que você não fique frustrado ao saber que o arcanjo Miguel e o anjo Gabriel não vem lhe atender toda vez que você os chama. Esses dois anjos têm ofícios especiais diante de Deus.
O Arcanjo Miguel
Miguel não vira toda vez que um crente chamar seu nome ou faça uma oração lhe invocando, isso porque ele não é onipresente e além do mais esse não é seu oficio. O lindo e poderoso oficio de Miguel segundo as escrituras é observar e proteger a nação de Israel. Ele é chamado de “o grande príncipe que protege os filhos de Israel”. O ministério desse arcanjo esta ligado a nação de Israel e não o de acompanhar alguns homens poderosos para segurar os pés e as mãos dos demônios enquanto esses lideres exibem seu show. A despeito de sua autoridade e poder concedidos por Deus, ele é visto como aquele que se subordina ao Senhor, e no final ele julgará a Satanás. (Apocalipses 12:07). Daniel 10:13;21/12,01.
“E NAQUELE tempo se levantará Miguel, o grande príncipe, que se levanta a favor dos filhos do teu povo, e haverá um tempo de angústia, qual nunca houve, desde que houve nação até àquele tempo; mas naquele tempo livrar-se-á o teu povo, todo aquele que for achado escrito no livro.”
O Anjo Gabriel. 
Da mesma forma que Miguel, o anjo Gabriel têm seu oficio diante de Deus. Esse poderoso mensageiro celestial foi enviando por Deus para falar com Daniel, Zacarias e Maria. (Dn 8:16 / 9:21 / Lc 1:19,26). A própria literatura Judaica sempre descreve Gabriel como vemos nas escrituras, como um mensageiro especial de Deus que assisti diante dele para servi-lo em amor.
Não entenda mal, existem milhares de anjos trabalhando ao seu favor agora mesmo; E ainda que você não saiba os seus nomes, eles são tão eficazes quanto Miguel e Gabriel.
Quando eu tinha poucas semanas de crente, fui levado por um parente bem próximo para um culto na Igreja que ele frequentava. O pastor daquela Igreja era, segundo meu parente, um especialista em expulsar demônios. Quando chegamos à Igreja já havia alguém de joelho no altar, totalmente possesso por um espirito demoníaco. O meu parente me olhou e disse: “Eu não falei? Já tem gente endemoniado ali no altar!”
Eu achei todo aquele movimento realmente fascinante! O desconhecido nos atrai! O pastor que ministrava sobre a pessoa perturbada por espíritos malignos, ordenava que o próprio arcanjo Miguel descesse do céu, para segurar as mãos e os pés do demônio, enquanto a “entrevista” com o diabo prosseguia. Foi nesse momento que uma oportunidade a qual eu considerei impar em minha nova vida cristã surgiu. O pastor com uma voz solene e cheia de autoridade nos perguntou: Quem aqui quer queimar esse demônio nessa noite?
A multidão inflamada gritava fervorosamente que queria. O pastor assegurou aos que ali estavam pelo menos duas coisas: a primeira era que com certeza era aquele demônio que ali estava que trazia todo tipo de pobreza e miséria para todos nós que ali estávamos e por isso era importante queimar aquele demônio no nome do Jesus o expulsando não apenas da pessoa que estava ali no altar mais também de nossa própria casa. De posse dessa informação eu fiquei cheio de “ira santa” contra aquele demônio, talvez porque eu e minha família passávamos por uma situação financeira muito difícil naquele momento. A segunda coisa é que ele se sentaria em sua cadeira no altar, e que as pessoas não precisavam se preocupar ou ter medo de se aproximar daquele demônio porque ele havia dado ordem ao arcanjo Miguel que segurasse os braços do demônio e ao anjo Gabriel que segurasse as pernas.
Novo convertido e com uma vontade tremenda de participar desse ato tão poderoso onde o próprio Miguel e Gabriel estavam tendo total participação. Mais que depressa corri para buscar um lugar na enorme fila que se formou. Enquanto eu estava na fila tive a triste noticia de que eu só poderia colocar minha mão na cabeça da pessoa possessa e queimar o demônio se eu desse uma certa soma em dinheiro, coisa que eu não possuía naquele momento. Sai frustrado por não ter feito parte daquela sessão de exorcismo com a participação de anjos tão ilustres.
Hoje ao me lembrar desse episodio não posso fazer outra coisa a não ser sorrir muito da minha ingenuidade espiritual na época. No entanto é triste perceber que aquele tipo de culto continua a crescer sorrateiramente entre nós.
Os Anjos Não Recebem Adoração.
Nenhum anjo de Deus recebe louvor, culto ou adoração. Eles sabem que toda honra, glória, louvor, e adoração pertencem a Deus. Eles são grandes adoradores mas, não recebem nenhuma espécie de devoção. Quando João Evangelista estava preso na Ilha de Patmos, um anjo foi envido por Deus para falar com ele. As grandiosas revelações dos acontecimentos futuros deixaram João maravilhado e humilhado diante de Deus, ele sente o desejo profundo de adorar e ao sentir esse desejo ele ver o poder e a gloria que cercava o anjo, João deslumbrado tenta reverencia-lo, e equivocadamente até mesmo adora-lo, mais veja o que o anjo lhe disse:
"E eu lancei-me a seus pés para o adorar; mas ele disse-me: Olha não faças tal; sou teu conservo, e de teus irmãos, que têm o testemunho de Jesus. Adora a Deus; porque o testemunho de Jesus é o espírito de profecia."  (Apocalipse 19 : 10)
Os Anjos Trabalham no Reino Espiritual em Favor da Igreja de Deus.  
O anjo se mostra como um servo dos servos. Ele é servo dos que servem ao cordeiro de Deus. Daqueles que têm e guardam o testemunho do Senhor Jesus.
Os anjos são espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação (Hebreus 1.14).
Eles protegem e livra sobre o comando de Deus, os que temem ao Senhor (Salmos 34.7; 91.11,12; Daniel 6.22); lutam talentosamente em favor dos selados pelo sangue de Jesus. “E por povos e nações em inenarráveis guerras que se travam ferozmente no mundo espiritual (Isaías 37.36;) eles realizam os decretos e juízos que saem da boca de Deus (Gênesis 19; Atos 12.23; Apocalipse 16)”.
Nada no céu é mais chamativo e misterioso do que o próprio criador. Acredito que nem mesmo os anjos que a milênios lhe cercam o conhecem por completo, afinal como seres finitos poderiam entender um ser infinito e de elevada sabedoria como nosso Deus. A ele seja dada toda gloria e devoção. Que os nossos cultos sejam racionais e de verdadeira adoração aquele que deu sua vida e seu sangue para nos lavar de nossos pecados. Que mesmo ao se encontrar com um anjo ou receber de um desses maravilhosos seres algo enviado por Deus, possamos dirigir toda a nossa atenção e adoração ao supremo ser que criou todos os exércitos dos céus.
Naquele que não da a sua glória a ninguém...
Oséas Pontes, servo de Deus e vosso!
Pr. Oséas Pontes
Pastor Pres. da AD - Shekinah em Teresina/PI, Vice-Pres. e Pres. do Conselho de Ética da CEADEP - Convenção Estadual das AD - Shekinah Estado do Piauí, Presidente da Comissão de Temário da União de Ministros da AD do Nordeste e e Vice Presidente do Conselho de Ética da Convenção Geral das AD no Brasil.oseaspontes.blogspot.com.br
Pr.  Oséas Pontes

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

LIDERANÇA E RELACIONAMENTO

         
          Dentro de uma esfera de liderança se encontra vários obstáculos que dificultam a aproximação entre líderes e liderados. A causa mais comum é a falta de confiança, mas pode-se afirmar que é um circulo vicioso, pois assim como a desconfiança provoca o afastamento, o afastamento também provoca desconfiança.
          Os líderes, em sua maioria, chegam ao posto por serem ou estarem disponível, mas nem sempre preparado. Esta preparação acaba se postergando pelas dificuldades encontradas ou por resultados medianos obtidos na execução de suas atribuições, esquecendo-se que a principal meta de um líder é o seu liderado e não somente os resultados que ele possa gerar.  As satisfações obtidas por resultados medianos acabam por estacionar o interesse do líder. Logo que se apresentam desafios mais exigentes, as cobranças surgem de forma repentina e exacerbada gerando um desconfortante resultado de indiferença e desconfiança por parte dos liderados. Esta situação deixa clara a despreparação do líder e só aumenta a distancia entre um e outro.
          Para transpor estas barreiras o líder deve estar em constante contato com seus liderados, buscando entender a todo o momento as necessidades que cada um individualmente apresenta.

 "Mark W. Baker diz que “só podemos entender as coisas a partir da nossa própria perspectiva” (Baker, Jesus o maior psicólogo que Já existiu, 2005)"

          O contato frequente com as pessoas que estão sob liderança faz com que o líder veja as situações enfrentadas por eles com mais compaixão e também conhecer o limite e os alcances de seus liderados.  Ver as coisas pela ótica das pessoas faz toda diferença na hora de delegar tarefas e funções, aumenta a sensibilidade e redimensiona as cobranças. Muitas coisas não precisariam ser explicadas ou reparadas se o líder apenas tivesse o entendimento da capacidade físico-emocional dos seus liderados. Os líderes necessitam ter em mente que somente liderar por ser um líder nomeado não é suficiente para alcançar respeito e credibilidade, e que o relacionamento é o ponto inicial de uma jornada feita com seus liderados, e para essa caminhada dar certo, o nível de comprometimento, não só com a função e a instituição, mas também com as pessoas deve aumentar a cada passo.

"Segundo John C. Maxwell, “as pessoas não se importam muito com o que o líder sabe ou fala: elas julgam pelo modo que se age”.(Maxwell, Surpreenda-se com seu potencial, 2008)"  

          A ação do líder determina o nível de comprometimento que ele tem com as pessoas, se o que ele ensina condiz com sua vida, por mais simples seja que esse líder, será mais aceito por suas ações do que por suas palavras. As palavras causam admiração momentânea, mas as ações fazem pontes.  Haverá benefício mútuo com a aproximação, e também desafios de compatibilidades que devem ser gerenciados com muita equidade e amor.  Daí nasce à oportunidade do líder em demonstrar caráter e determinação que farão com que as pessoas lideradas o vejam como referencial, diminuindo a indiferença e aumentando a confiança a cada dia.



sexta-feira, 25 de julho de 2014

A teologia a favor do racismo

A LEITURA É UM BOM CAMINHO PARA MUDANÇAS


A teologia a favor do racismo

Daniel Santos

“O homem não pode fazer o certo numa área da vida enquanto está ocupado em fazer o errado em outra. A vida é um todo indivisível.”
Gandhi

Chamamos de “racismo teológico” toda a construção bíblico-teológica que tem o propósito de fundamentar ou justificar a ideia de que o negro (em nosso caso específico) é inferior ao branco.

No contexto histórico-protestante brasileiro, esse tipo de “teologia” contaminada com o preconceito etnocentrista1 surgiu juntamente com os primeiros missionários norte-americanos, oriundos dos estados do Sul. Muitos desses missionários eram membros de igrejas brancas onde, a cada seis meses, eram feitas leituras das leis estaduais que diziam que qualquer branco poderia matar um negro fugitivo sem punição alguma; que um negro receberia trinta açoites caso levantasse sua mão contra um branco cristão; que nenhum negro poderia pregar o evangelho sem o consentimento de um branco; que nenhum negro poderia aprender a ler e escrever e que ninguém poderia dar nenhum livro (nem a Bíblia) a nenhum negro.

Como resquícios da derrota na Guerra da Secessão para os estados do Norte, esses missionários eram a favor da manutenção da escravidão e afirmavam que ela era instituída por Deus como resultado da maldição imposta aos filhos de Cam.

A “base teológica” do racismo ensinava que a palavra hebraica “cam” significava “queimado”, “preto”, fazendo do filho de Noé o pai da raça negra. Numa maldição imprecada por Noé, Cam deveria ser o mais baixo dos servos (Gn 9.18-27).Daí o fato de os negros, segundo os pregadores do racismo teológico, serem excelentes serviçais. Conforme essa interpretação, os filhos de Sem e Jafé têm um “direito teológico” de se aproveitarem do trabalho dos filhos de Cam, contribuindo, assim, para a redenção daqueles que são marcados por dois “pecados originais”: o de serem filhos de Adão (pecado comum a todos os homens) e o de serem filhos de Cam (pecado específico dos africanos e negros, em geral).

Ao negro restava suportar sua miserável condição nesta terra (uma espécie de karma) enquanto aguardava sua redenção nos céus. Caso essa doutrina fosse questionada, alguns pastores apelavam para o expediente infalível da miscigenação, que alguns especulavam ser o pecado que havia levado Deus a destruir o mundo nos dias de Noé.

Esse racismo teológico não foi exclusividade das igrejas históricas.Segundo Oliveira (2004, p. 86), há vários teólogos pentecostais que ainda hoje sustentam a ideia de que o sinal posto sobre Caim, quando este matou seu irmão Abel, representava uma maldição caracterizada pela cor negra.4

O conceito teológico das igrejas neopentecostais tem contribuído para uma maior proliferação do racismo. Sua postura é eminentemente antiafro (Freire, 2005, p. 19). A doutrina da prosperidade, a batalha espiritual e a doutrina das maldições hereditárias reforçam o estigma da cor negra, como sinônimo de algo negativo ou demoníaco. Nesse aspecto, o racismo sai da esfera do conceitual-teológico e avança para a prática, a vivência e as relações eclesiais.

Na doutrina da prosperidade, o fiel é abençoado conforme a quantidade de seus bens materiais. A situação socioeconômica do negro é vista de forma simplista e racista: “é pobre porque é pecador e oriundo de um continente idólatra e praticante de bruxaria”.

Na doutrina das maldições hereditárias, o povo negro é considerado uma raça maldita, usando-se os mesmo argumentos “teológicos” já citados. Para que o negro seja livre de sua maldição é necessário que ele se desvincule de todo o seu passado histórico (origem, costumes, cultura, cosmovisão etc).

Na batalha espiritual, evidente principalmente por meio da literatura, o mal é personificado na cor preta. Em “Este Mundo Tenebroso”, de Frank E. Peretti (1991), o exército de Deus é retratado por anjos brancos e louros e o exército do diabo, por anjos pretos e negros.

As igrejas históricas e pentecostais também já manifestaram altas doses de racismo por meio da literatura, hinologia e métodos pedagógicos.

Era bastante comum (em alguns casos, ainda o é) encontrar hinos e cânticos nos quais, em determinados trechos, a palavra “negro(a)” tem conotação do mal: “as negras nuvens”, “o meu coração era preto”, “a negridão do mal”, “o negro pecado”. Um dos exemplos mais notáveis foi o da Igreja Presbiteriana Independente que no seu hino oficial, “O pendão real”, tinha uma frase racista que dizia: “os negros batalhões do grande usurpador”. Essa frase foi mudada por aquela igreja e não mais cantada dessa forma, mas algumas igrejas ainda mantêm a forma original.

A APEC (Aliança Pró Evangelização das Crianças), entidade evangelística interdenominacional presente em vários países do mundo, inclusive o Brasil, possui como principal método de evangelização infantil a utilização das cores. Sua principal ferramenta é o livro “Sem Palavras”, no qual, por meio das cinco cores (verde, dourada, branca, vermelha e preta) a mensagem de salvação é explicada às crianças. As cores são simbolizadas da seguinte forma: o verde é a nossa esperança de ir para o céu, a cor dourada representa o céu, a cor branca simboliza a pureza do coração, a cor vermelha é a representação do sangue de Jesus que nos purifica do pecado e a cor PRETA simboliza o pecado que nos levará para o inferno. Após receber inúmeros protestos, a APEC mudou a expressão “preta” para “escura”. Como o livro é muito usado por Escolas Bíblicas de inúmeras igrejas, sua correta utilização fica restrita à imaginação e capacidade de cada professor. A APEC utiliza o mesmo método didático por meio de folhetos, canetas, réguas e pulseiras.7

Concepções teológicas como essas tornam o racismo ainda mais enraizado no conceito de muitos cristãos, fazendo com que atitudes discriminatórias já não sejam tão raras dentro de algumas igrejas:

• Um pastor negro, membro de uma respeitada denominação do país, guarda alguns bilhetes anônimos que recebeu, com os dizeres: “Lugar de macaco não é no púlpito, é na bananeira!”.
• Num seminário para casais, o palestrante branco afirmou: “Jamais permitirei que minha filha se case com um negro”. Para angústia dos participantes, havia um casal inter-racial presente.
• Determinado pastor consentiu no casamento de sua filha com um negro, desde que se comprometessem a ter apenas um filho. O argumento: se passasse disso, poderia haver problemas “raciais” entre as crianças.
• Um pastor negro pentecostal ouviu de um pastor branco: “O negro não pode pregar porque tem o nariz chato, conforme ensinamentos bíblicos”.

Teologia Negra
A Teologia Negra surgiu em resposta às condições de vida dos negros norte-americanos, juntamente com o movimento denominado Poder Negro (Black Power), por volta da década de sessenta, período de maior organização e articulação do movimento a favor dos direitos do negro. Não há um líder específico que possa ser considerado o “pai” do movimento. Martin Luther King Jr. é considerado um importante precursor e também o Dr. James H. Cone, professor de teologia no Seminário Teológico da União, em Nova York, e autor de “Black Theology and Black Power” (Teologia Negra e Poder Negro, 1969) e de “God of the Oppressed” (Deus dos Oprimidos, 1975), o mais profícuo escritor dentro da Teologia Negra.

Seu discurso profundamente centrado nos ideais de libertação do povo negro revela sua estreita ligação com a Teologia da Libertação.

A Teologia Negra procura relacionar mais uma vez Deus e Cristo com o negro e seus problemas cotidianos, o que a torna essencialmente existencial. Isso está explícito na definição de Cone sobre o papel do teólogo negro. “O teólogo é, antes de tudo, um exegeta simultaneamente das Escrituras e da existência. Sua tarefa é investigar exegeticamente as profundezas das Escrituras com o propósito de relacionar aquela mensagem com a existência humana” (Cone, 1985, p. 17).

Se sua principal fonte é a experiência da vivência negra e se ela é essencialmente existencial, é possível concluir que sua forma está limitada ao contexto social e histórico de seu público alvo: os negros.

Toda teologia é “discurso humano e subjetivo” sobre Deus, um discurso que nos revela muito mais acerca dos sonhos e esperanças daqueles que falam sobre Deus do que acerca de Deus, de fato (Cone, 1985, p. 49.51). Toda teologia está relacionada a situações históricas e, por isso, é culturalmente limitada. Isso explica porque brancos e negros veem a Deus de formas diferentes. O pensamento teológico dos negros acerca de Deus está diretamente ligado ao seu contexto social da mesma forma que os pensamentos teológicos dos brancos sofrem influências de sua posição dominante. Como poderiam dois grupos tão distintos enxergarem a Deus da mesma forma? Como isso seria possível, posto que, enquanto o branco cristão europeu veio para o Novo Mundo fugindo da tirania, o negro foi trazido para cá como prisioneiro para se tornar vítima da mesma tirania? “O contexto social e histórico de alguém não apenas decide as perguntas que dirigimos a Deus, mas também o modo e ou forma das respostas dadas às perguntas” (Cone,1985, p. 24).

Cone concorda com a posição de Feuerbach de que “teologia é (antes de tudo) antropologia” (1985, p. 50) e que “o pensamento é precedido pelo sofrimento” (1985, p. 19). Ou seja, o homem não pode raciocinar acerca de Deus e de tudo o mais concernente a ele além da sua experiência social, da sua esfera de visão e da sua condição humana.

A Teologia Negra está fundamentada na forma e no conteúdo do pensamento religioso dos negros. Segundo Cone (1985, p. 65), a forma do pensamento religioso dos negros foi moldada conforme sua história repleta de extrema opressão e o conteúdo desse pensamento religioso não poderia ser outro, senão a libertação dessa opressão. Consequentemente, prática e pensamento não possuem distinção dentro do pensamento religioso dos negros porque suas reflexões teológicas sobre Deus ocorrem no mesmo espaço da sua luta pela liberdade.

Diferentemente da teologia dos brancos, acostumados ao raciocínio filosófico e teológico, a Teologia Negra se expressa por meio de histórias com profundo conteúdo libertador. Isso se dá porque os negros, na condição de escravos, tinham de trabalhar do nascer ao pôr-do-sol, não tendo tempo nem oportunidade para a arte do discurso filosófico e teológico. Assim, narrativas como a libertação do povo de Israel da tirania egípcia, da intervenção divina em favor de Daniel ou do caráter libertador da pessoa do Messias eram frequentemente utilizadas nos sermões.

Isso refletia na forma do sermão direcionado ao público negro. Ele não estava preso aos conceitos acadêmicos do evangelho de matriz branca. A liberdade revelada no evangelho pregado conforme a cosmovisão negra (formada por seu sofrimento e suas esperanças de liberdade) também se revelava no momento da sua proclamação.

A Teologia negra é, portanto, uma teologia do povo negro para o povo negro, refletindo, por meio de um exame de suas histórias, contos e ditos, sobre aquilo que significa ser negro.

O Brasil ainda não possui uma estrutura teológica exclusiva para o povo negro. Provavelmente isso seja reflexo da nossa condição histórico-sócio-cultural, já discutida nesse trabalho. Isso não significa que o assunto seja desconhecido ou não interesse aos brasileiros negros. Há evidentes sinais de um maior engajamento e de tentativas de desenvolvimento de uma Teologia Negra com a “cara” brasileira por parte de alguns líderes e militantes negros, como o pastor Marcos Davi de Oliveira, autor do livro “A Religião Mais Negra do Brasil”, Hernani Francisco da Silva, militante do Movimento Negro e co-fundador da Sociedade Cultural Missões Quilombo, e Walter Passos, teólogo, historiador e autor do livro “Teologia Preta – a revelação”, bem como de grupos como a Sociedade Cultural Missões Quilombo e o Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos, que realizou seu primeiro encontro nacional em Salvador, no mês de abril de 2007, onde foi discutido sobre “Cristianismo de Matriz Africana” e “Teologia Preta”, dentre outros temas.

Notas
1. Alexandre Brasil Fonseca chama essa “teologia contaminada” de “teologia do ‘apartheid’” e refere-se a ela como o “fazer teológico contaminado por todo o preconceito resultante de conceitos como o etnocentrismo, produzindo um cristianismo assassino e preconceituoso. Assassino, porque -- apesar de apregoar o amor e a fraternidade -- foi responsável por uma série de barbaridades. Preconceituoso, porque -- apesar de ter a igualdade como referencial -- acabou sendo o motivo para o sepultamento de uma série de culturas, como também de relações racistas no decorrer da história”. (Oliveira 2004, p. 16)
2. Ninguém se preocupava em destacar que a maldição fora pronunciada, na verdade, contra o neto de Noé, Canaã, e não contra Cam.
3. Refiro-me às primeiras denominações protestantes que chegara ao Brasil: Congregacionais, Batistas, Presbiterianas, Metodistas, Luteranas e Anglicanas. Conforme distinção feita por SILVA, H. F., em “O Movimento Negro nas Igrejas Evangélicas”.
4. Além do profundo racismo, fica evidente o grosseiro erro hermenêutico, visto que o “sinal” colocado por Deus em Caim tinha o propósito de protegê-lo, como representação da graça e do favor divinos, e não amaldiçoá-lo.
5. Denominações surgidas a partir da década de 1970 à sombra das igrejas pentecostais clássicas. Principais denominações: Universal do Reino de Deus, Renascer em Cristo, Sara a Nossa Terra, Internacional da Graça de Deus e, a mais recente dentre as demais, Mundial do Poder de Deus.
6. Cf. “Igreja e Racismo”.
7. Idem, p. 1.
8. Cf. “O Movimento Negro nas Igrejas Evangélicas”. 


• Daniel Santos, casado, dois filhos, é pastor auxiliar na Igreja Betesda do Tatuapé, em São Paulo. 

domingo, 20 de julho de 2014

CREDIBILIDADE

A igreja do presente século está passando por uma crise de credibilidade. Isto se dá por causa da diversidade de idéias existentes, que envolvem as organizações que se auto-denominam igrejas. Cada uma tem uma verdade, cada uma prega ou levanta uma bandeira dizendo: Nós temos as respostas, nós somos a solução dos seus problemas.
São tantas as informações que chegam até as casas dos espectadores que eles já não sabem para onde ir, nem tão pouco quem está certo ou errado.

Quase não se fala mais de Jesus, a prosperidade é um assunto que dá mais audiência, algo como: Aqui. Só aqui no nosso templo é que vocês serão abençoados.

Jesus e seus discípulos não se preocupavam com bandeiras ou em criar uma nova divisão na religião judaica. Eles não se preocupavam se suas reuniões estavam cheias pessoas para financiar templos suntuosos e também não se preocupavam em agradar os políticos influentes da época. A mensagem era pregada sem rodeios, Jesus deveria ser e foi sempre a mensagem principal nas palestras dos apóstolos. Era o suficiente para arrastar multidões e salvar inúmeras vidas que estavam indo para o inferno.

O amor pelas almas perdias e não por “outras coisas”foi o combustível que os moveram, o Espírito Santo os guiavam em tudo. Foi exemplo único a ser seguido em toda a história da a igreja, Deus os usou da maneira que lhe aprouve e manifestou o seu poder através de suas vidas. Eles não cobravam por sessões e as ofertas não eram impostas como vemos nos dias de hoje. O evangelho pregado não estava associado a riquezas ou condicionado a um estado social estável.


A igreja do presente século está passando por uma crise de credibilidade. Isto se dá por causa da diversidade de idéias existentes, que envolvem as organizações que se auto-denominam igrejas. Cada uma tem uma verdade, cada uma prega ou levanta uma bandeira dizendo: Nós temos as respostas, nós somos a solução dos seus problemas.

São tantas as informações que chegam até as casas dos espectadores que eles já não sabem para onde ir, nem tão pouco quem está certo ou errado.

Quase não se fala mais de Jesus, a prosperidade é um assunto que dá mais audiência, algo como: Aqui. Só aqui no nosso templo é que vocês serão abençoados.

Jesus e seus discípulos não se preocupavam com bandeiras ou em criar uma nova divisão na religião judaica. Eles não se preocupavam se suas reuniões estavam cheias pessoas para financiar templos suntuosos e também não se preocupavam em agradar os políticos influentes da época. A mensagem era pregada sem rodeios, Jesus deveria ser e foi sempre a mensagem principal nas palestras dos apóstolos. Era o suficiente para arrastar multidões e salvar inúmeras vidas que estavam indo para o inferno.

O amor pelas almas perdias e não por “outras coisas”foi o combustível que os moveram, o Espírito Santo os guiavam em tudo. Foi exemplo único a ser seguido em toda a história da a igreja, Deus os usou da maneira que lhe aprouve e manifestou o seu poder através de suas vidas. Eles não cobravam por sessões e as ofertas não eram impostas como vemos nos dias de hoje. O evangelho pregado não estava associado a riquezas ou condicionado a uma soma de valores duvidosos. Homens íntegros e fieis a Deus falavam sobre o que viviam, tinham autoridade sobre o que falavam porque era a experiência de suas vidas. Comiam do maná com as próprias mãos sem depender de ficar repetindo somente o que ouviram mais falavam de uma vida ao lado Deus ensinada por Jesus e lembrada pelo Espírito Santo.


A credibilidade era uma conseqüência da glória de Deus que acompanhava e respaldava a vida deles, a presença de Deus era algo indispensável em seus ministérios.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Negros e africanos amaldiçoados? | Ultimatoonline | Editora Ultimato



Nota de esclarecimento e repúdio quanto à suposta maldição sobre negros e africanos

A Aliança Evangélica vem a público para repudiar o uso inadequado das Escrituras Sagradas, a Bíblia, juntamente com as interpretações e afirmações daí decorrentes, especificamente as feitas quanto a supostas maldições existentes sobre africanos e negros.

Afirmações desta natureza são fruto de leitura mal feita de parágrafos bíblicos, tomados fora do seu contexto literário e teológico, que acabam por colaborar com os interesses de justificar pensamentos e práticas abusivas, contrárias ao espírito da Palavra de Deus, cujo foco está na Justiça, na Libertação e na promoção da Vida e Dignidade Humana.
O texto em questão, que tem servido de pretexto para declarações insustentáveis, tanto em púlpitos, redes sociais, na tribuna do Parlamento e até protocoladas junto à Justiça Federal, sob o manto da imunidade parlamentar, versa sobre o significado da passagem bíblica encontrada no Livro de Gênesis capítulo 9, versos 20 a 27.

Nessa passagem Noé, embriagado, despe-se e assim é surpreendido por seu filho Cam que, ao invés de manter a discrição e o respeito devidos ao pai, o anuncia aos seus irmãos; estes se recusam a ver o pai nesse estado e, sem olhar para ele, cobrem-no com uma manta. Desperto Noé, ao saber da postura de seu filho Cam, amaldiçoa seu neto Canaã, filho de Cam, destinando-lhe a servidão.

O equívoco em questão dá a entender que a maldição proferida pelo patriarca bíblico contra Canaã, seu neto e filho de Cam, atinge os seres humanos de tez negra que habitaram, originariamente, o continente africano, o que explicaria os vários infortúnios em sua história passada e presente, culminando no longo período em que foram feitos escravos no Ocidente; e que o ato de Cam em ver a nudez de seu pai, mais do que um desrespeito, indica um ato de violação sexual por parte de Cam.

Queremos salientar enfatica e categoricamente:

1. Cam teve outros filhos: Cuxe, Mizraim e Pute, e somente Canaã foi amaldiçoado.

2. Embora o comportamento inadequado descrito no texto bíblico tenha sido o de Cam, filho de Noé, o objeto específico da maldição foi Canaã, o neto de Noé. [Segundo Orígines, um dos pais da Igreja, do século 3, Canaã foi quem avisou seu pai sobre a situação do seu avô, publicando o que deveria ter mantido sob reserva]. Amaldiçoar, no senso bíblico, não determina a história, mas descreve a consequência da quebra dum princípio estabelecido pelo ato desrespeitoso; portanto, significa a percepção de efeitos e desdobramentos de um comportamento específico. Ou seja, a postura de Cam e de seu filho Canaã estabelece um padrão comportamental que resultaria numa situação de inversão paradoxal, onde alguns dentre os descendentes de Canaã se tornariam dominados e serviçais dos seus irmãos.

3. Canaã, neto de Noé, foi habitar e estabeleceu-se na região a oeste do rio Jordão, até a costa do Mediterrâneo (sudoeste da Mesopotâmia), onde os descendentes de Canaã desenvolveram práticas absurdas, inclusive o sacrifício de crianças, e não no continente africano!

4. É de entendimento entre os teólogos especialistas no Velho Testamento que a maldição profética de Noé sobre Canaã foi cumprida quando da conquista da região povoada pelos descendentes de Canaã, os cananeus, por parte dos filhos de Jacó, sob o comando de Josué há mais de três milênios.

5. A maldição proferida sobre Canaã pelo seu avô Noé significou uma percepção e discernimento sobre uma tendência comportamental de um grupo humano, antevendo o resultado de uma corrupção cultural e civilizatória específica e localizada, e em consequente servidão, e de modo nenhum faz referência à cor da sua pele.

6. Não há nada, absolutamente nada, nem neste texto bíblico em foco nem na Escritura como um todo, que indique qualquer maldição sobre negros e africanos, e muito menos algo que justifique a escravidão.

7. O texto bíblico precisa ser lido em seu contexto imediato e considerado à luz da totalidade da Escritura, como saudáveis práticas de interpretação bíblica nos ensinam. De acordo com o próprio capítulo 9 de Gênesis, verso 1 e seguintes, é indicado que o desejo de Deus e sua promessa visam abençoar, dar vida, alimento e todo o necessário para o desenvolvimento de todos os descendentes de Noé, seus filhos e de toda a família humana. A declaração divina de abençoar a Noé e seus descendentes é firme e abrangente, e não pode ser contestada ou reduzida pela declaração relativa e descritiva de Noé a respeito de seu neto.

8. Deus reafirma o desejo de abençoar a toda a humanidade, a todas as famílias da terra, raças e etnias no episódio descrito na sequência da narrativa bíblica, quando da vocação de Abrão (Genesis 12), intenção que tem seu ápice e culminância na pessoa, vida e ministério de Jesus e continuado em curso na Igreja. Em Cristo, toda maldição é destruída e uma Nova Criação é estabelecida, sendo chamados a participar deste novo concerto todas as nações, etnias, raças, povos e famílias de todas as terras e da Terra toda, sendo revogadas assim todas as maldições e oferecida salvação a todas as pessoas.

9. A alegada violação sexual de Cam a Noé não é sustentada pelo texto. A citação do texto da lei de Moisés que chama a violação de descobrir a nudez não dá suporte a tal alegação, uma vez que os verbos usados são diferentes na raiz e no significado: no primeiro caso, trata-se de observação a distância; e, no segundo caso, trata-se de ato deliberado contra outrem.

10. Toda vez, na história, que esse texto foi aventado a partir dessa hipótese vulgar, tratou-se de ato de má fé a serviço de interesses escusos, seja quando usado para justificar a escravidão de ameríndios no Brasil colonial, seja quando usado para justificar a escravidão dos africanos de tez negra, seja quando utilizado para a elaboração de sistemas legais de segregação social como o que ocorreu nos Estados Unidos, seja quando usado para justificar a política nefasta e mundialmente condenada do “apartheid”.

Tal leitura equivocada da Escritura corre o risco de ser vista como suspeita de esconder outros interesses de natureza política, econômica e de dominação social e religiosa. Não há nenhum apoio bíblico para defender qualquer maldição sobre negros ou africanos, que fazem parte, igualmente e em conjunto, da única família humana.

Lamentamos o equívoco provocado por tal vulgarização do texto bíblico, bem como a banalização quanto ao conteúdo de nossa fé, assim como repudiamos qualquer tentativa, intencional ou não, de uso inadequado do texto para quaisquer fins que não o de promover a vida, a libertação e a justiça, como a própria Escritura expressa muito bem.

Brasil, 07 de abril de 2013.

Aliança Cristã Evangélica Brasileira

Nota:
Publicado originalmente no site da Aliança.